Ser mãe da Giulia

“Ser mãe”
Inicio esta crônica lembrando–me de uma tirinha da Mafalda que dizia mais ou menos assim:
A mãe solicita a filha que faça determinada tarefa e alega que pode exigir por ser mãe...
e a filha responde:  -  Se é uma questão de títulos, eu sou sua filha. E nos diplomamos no mesmo dia! Ou não?
Meu respeito aos que não têm filhos por escolha – por opção... Ninguém é obrigado a tê-los.  Vejo muitos casais felizes... famílias as quais optaram por viver sem filhos... não foram egoístas a ponto de tê-los só por convenções ...
 A maternidade é vislumbrada como algo lindo e pleno... e depois percebemos o quão difícil é educar... formar... Não se trata de desejo e sim de vocação... não se trata de obrigação e sim de responsabilidade por outra vida... comprometimento integral  por outro ser...
Filhos são dependentes  e exigem o melhor dos nossos sentimentos,  precisam do nosso tempo e energia...
Aos que como eu... optaram por viver esta viagem magnífica sem roteiro pré-estabelecido... com surpresas e muito aprendizado – Quantas delícias e inseguranças... Quantas lágrimas e sorrisos...
Aos que ousaram sentir tanto amor – tão inexplicável sentimento ... que extrapola qualquer  palavra... verso ou razão...
É um vinculo impossível de ser qualificado... quantificado... e dizível!!!!
Aos que vibram com as pequenas conquistas – seja um sorriso – os primeiros passos...  a entrada na escola... a dança da quadrilha... a apresentação do balé... o jogo de futebol... a partida de tênis ou de frescobol ...  um dez no boletim... ou o destaque bimestral....
Aos que  também ficam irritados com tamanha petulância e audácia da “aborrescência “...
Aos que sabem que amar também é dizer não... é imposição de  limites... é cobrança... é regra ...
Aos que  se irritam com tantos “porquês”... tantos questionamentos... tanta rebeldia...
Aos que sabem que em algum momento...  é preciso deixá-los partir ... voar... explorar o mundo ... aventurar-se ... muitas vezes,  literalmente do outro lado do globo...🌍
É!!! -  ser mãe é  “sermãe” ... é sermão... é ser amor...
No meu caso...é desempenhar o principal papel nesta viagem chamada vida!
Aprendo todos  os dias sendo filha ... sendo  mãe... sendo amiga... sendo irmã...
Aprendo a todo momento o significado de amor maior... de entrega... renúncia e  devoção!!
E hoje...  filha querida... aprendo  que amar requer soltar a mão e deixá-la seguir...
Mas saiba que estarei sempre aqui... sorrindo por sua conquista e chorando por sua ausência ... num misto de emoções que só as verdadeiras mães sentem...
Obrigada por me conceder a honra de ser sua mãe...
 Afinal...  é muito fácil ser sua genitora... ser sua “mamis”...
 Você... filha amada... é um ser iluminado... inigualável... meu “leãozinho”... minha razão de viver...
Somos tão  diferentes por fora... e por dentro...tão iguais! –  quanto equilíbrio ...
E que sorte a minha!
Desculpe pela simplicidade do texto... faltam palavras para sintetizar a grandiosidade deste sentir...
E neste instante reside aqui dentro  um nó... um aperto... Uma lágrima contida !!!
Desculpe pela ausência consentida... enquanto  você crescia... eu aqui permanecia ...   lutando por um ideal de educação...
Lamento pela  falta... pelas cobranças... por fazê-la tão adulta...
Em contrapartida... comemoro sua independência... seu empoderamento... seu jeito de ver o mundo e as pessoas...
É minha adorável filha ... por fim sou grata por me obsequiar o “ título de mãe”...  não a perfeita... mas a que cresce com você!
Te amo para além daqui!
Por Dani Gatolini

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