Amor em camadas
… amor, quando é inteiro, não exige pedaços.
Ele não pede que você se dobre até caber, nem que silencie partes de si para manter a harmonia aparente. O amor que vale a pena não se constrói sobre idealização, mas sobre presenças que permanecem e resistem, mesmo quando há tempestade.
Amar é, sim, um exercício de doação… mas não essa doação que esvazia, e sim aquela que transborda. Existe uma diferença quase invisível entre oferecer e se abandonar, e é nessa linha tênue que muitas relações se perdem.
… porque , em algum momento, quando se cede demais, o copo transborda. E o curioso é que nem sempre é obra dos protagonistas que provocam esse excesso… às vezes, são os contornos da história… os ruídos externos. … os personagens secundários que, mesmo à margem, atravessam o enredo e tensionam o que é sólido… mas que estremece…
Amar, então, também passa por processos…é isso exige sustentar o vínculo apesar do entorno. E, sobretudo, saber reconhecer quando está pesando mais do que se consegue suportar.
Não existe fórmula.
Existe tentativa.
Há dias em que ferimos sem querer… ferimos porque estamos feridos ou sendo hostilizados há tempos… ou então, revidamos… ou buscamos soluções…
Há dias em que cedemos, e outros em que esperamos que o outro nos encontre no meio do caminho. E talvez o amor em ação seja justamente essa dança imperfeita entre dar e receber, entre compreender e, às vezes, simplesmente pedir para ser compreendido.
Porque nem sempre vamos conseguir entender tudo no outro. E está tudo bem. O que não pode faltar é a disposição de olhar com cuidado, e, quando faltar clareza, que exista ao menos a capacidade de reconhecer os excessos…
Como em O Amor nos Tempos do Cólera, onde o amor não é pressa, nem idealização intacta, mas permanência… imperfeita, atravessada pelo tempo, pelas escolhas e pelas ausências. Um amor que não se encaixa no molde do conto de fadas, mas que, ainda assim, encontra uma forma de existir.
No fim, amar não é sobre nunca falhar.
É sobre não se perder de si enquanto tenta, de novo… e de novo… fazer dar certo com alguém que também está tentando.
E talvez seja isso que torna tudo tão difícil…
e, ainda assim, tão profundamente humano.
… amar…


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