Varal
Há algum tempo li uma crônica de Mario Prata que enfatizava sua indignação com a falta de prendedores de madeira... e ele dizia que ficava olhando para os prendedores de plástico” (azuis, cor-de-rosa, verde piscina...) que não têm o menor charme, não têm ainda história. Um mundo de plástico.” –
Ufa!!! Tempo... tempo... vai devagar... eu ainda nem desfrutei meu recesso... Janeiro já começa a se despedir e com ele chuvas saltitantes outras bem impiedosas... e nossas roupas pedindo vento e sol... cito, portanto, Drummond - ”O ano passado não passou, continua incessantemente. Em vão marco novos encontros. Todos são encontros passados". Mas o ano novo já chegou e assumiu as rédeas para a grande jornada de 365 dias... sendo assim, já estamos em 2023, embora ainda haja resquícios do ano passado soltos pelo ar. Diante desta realidade palpável me detenho a olhar o meu varalzinho e a disposição das roupas (verdes em variação de tons, preto e branco) e os meus prendedores... coloquei-me a refletir sobre a minha vida e a sua desordem ou excesso de organização (listas, tabelas, agenda) – mesmo que saibamos que a vida é permeada pela falta de constância... ela tem seus inesperados...
suas surpresas...
doces e amargas... mas a gente quer dela... ordem... E eu só quero dela... leveza, respiro...
Voltando ao varal... o meu... o qual muito fala sobre mim...
Sim! Todos nós temos nossos indicadores... nossas pistas... as quais vão sendo deixadas tal qual pegadas... portanto, aludindo outro texto sobre roupas, varal e janela... oferto: “ Nunca se precipite em julgar pelas aparências. Limpe primeiro os seus olhos ou a "sua janela" para depois "criticar" as roupas da vizinha...”
Enfim, os dias passam, anos mudam, mas algumas temáticas seguem urgentes e impostergáveis... - cuidar do nosso varal... do nosso quintal... das nossas roupas... sejam verdes ou outra cor qualquer... Deixar a plasticidade só para os cafonas prendedores... e seguir entre chuvas e arco-íris!


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