Ela não


Já pensou em alguém dizer para outra pessoa algo assim? “Seja feliz, mas com ela, não. Qualquer uma, menos ela.” Ou ainda: “Daqui a um tempo, você vai ver quem é ela.”


- Fico pensando no tamanho da pequenez que existe em alguém para pronunciar algo assim. Ninguém tem o direito de escolher por outra pessoa. Ninguém tem o direito de tecer julgamentos tão absolutos sobre o outro, especialmente quando se trata de alguém que, até então, só ofereceu o bem…


É intrigante perceber como o mundo anda estranho. Como alguém pode transformar em “monstro


” quem nunca foi, e jamais será, algo sequer próximo disso? Por quê? Por que insistimos em fazer esse tipo de comentário? Por que afirmamos com tanta certeza que o outro “não presta”?


A resposta, na verdade, é simples. O outro presta. Ele só “não presta” quando decide sair do quadrado que foi imposto a ele. Enquanto ele permanece na caixinha que criamos, dentro das expectativas que projetamos, está tudo bem. Mas basta ele ousar, brilhar um pouco além do esperado, seguir um caminho próprio — e então, magicamente, ele se torna “ruim”.


O ser humano precisa ser estudado. Somos pequenos em nossas críticas e projeções, e muitas vezes, incapazes de enxergar que o problema está em nós mesmos. Talvez seja por isso que a terapia é tão importante: ela nos força a olhar para dentro, a encarar a nossa própria pequenez e, com sorte, a melhorar. É um caminho para que deixemos de dizer essas bobagens que só mostram o quanto estamos perdidos dentro de nós mesmos.


Eu não vou carregar para outro ano nada pequeno ou raso, nada que tenha sido jogado para debaixo do tapete ou colocado de lado. Não há espaço para isso na minha vida. Vou extirpar tudo o que me incomoda — por menor que seja. Porque seguir em frente é sobre limpar o caminho, deixar para trás o que não acrescenta, e abrir espaço para tudo o que merece realmente florescer.

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