DANI POR DANI



Quando eu era pequena... pensava que seria uma jornalista ou  escritora... não sabia diferenciar... achava que quem noticiava ou apresentava-se num jornal...e  manifestava-se  através de um texto,  artigo, livro ou revista... era escritor/jornalista...
Cresci... e por atalhos do caminho... tornei-me professora e com essa escolha... vieram  tantos  outros projetos e ideais...
Uma das minhas falas de menina era que eu  seria diferente da minha mãe... não no sentido de depreciação... por achá-la menos valorosa...   longe disso...  mas sim, por querer ser mais forte... mais ousada...leve e prática.
E assim fui moldando a versão de Daniela que  seguramente  apresenta inúmeras incorreções... “estou”sempre necessitando de ajustes -  recorte ali,  outro acolá... ressignificando meu eu ... reavaliando minha história... reeditando meu script...
Como balzaquiana passada... percebo que no fundo eu nutro as mesmas fraquezas ou fragilidades que minha mãe.
Aqueles temores bobos... a ignorância clássica... os pensamentos que nos freiam...paralisam...   Os “se” tão presentes...
Concluí que não adianta fugir de quem somos... pois quando olhamos para o lado... talvez estejamos vendo o próprio reflexo.  É preciso coragem... para ver-se  e mais ainda... é precípuo ter o desejo de tornar-se uma versão melhorada a cada dia!
Hoje,  por alguns segundos...  senti falta da Dani que nem cheguei a ser... daquela que eu imaginei que me tornaria... no entanto,  percebi que a idealização não seria tão complexa e surpreendente como a original.
 Escolho, portanto ser quem sou... com todas as benesses e inconstâncias.
Já minha mãe...  segue em sua fragilidade permitida -   após vários momentos de fortaleza enquanto cuidava  de forma honrosa e  incansável do meu querido pai...
E assim fecho e abro ciclos... descortinando-me ... abrindo-me ... enchendo-me e esvaziando-me quando necessário!
Plenamente Daniela Gatolini

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