Redenção
“O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito…” esse trecho não é de minha autoria, mas sim de Florbela Espanca… no entanto, ela parece falar por mim…
Tenho conhecido uma nova Dani nestes últimos tempos… Não sou mais afetada como antes… e as minhas intensidades pueris agora são administráveis.
Há uma certa resignação com o que não posso mudar, que me parece ser um traço de sabedoria…
Mantenho-me empática e solidária… mas reservando-me o direito de olhar mais acautelada para certas posturas…
Vivencio momentos de transformação pessoal, de visão de mundo, do lugar que me é destinado neste plano existencial…
Envelhecer é mesmo um estado de alma, para muito além do envelhecer do corpo… e olha que o meu já mostra seu peso… sinaliza fragilidade e finitude…
No processo de construir a si, (construir-se) gasta-se tempo ou será que ganha-se?!
Hoje, domingo, conversando com uma amiga… disse-lhe em tom poético:
- será que o que sinto é a mesma inadequação de certos eu-líricos, digo, o conflito de alguns escritores ao colocarem em texto seus pensamentos e perspectivas?
Suas dores, angústias e até revoltas proporcionam dubiedade… encantamento e até beleza.
E parece contradição a dor prestar-se a isso… nos rasgar por dentro, deixando-nos à mercê dos sentimentos.
Discursos múltiplos, manipulação, falas elaboradas e incoerentes sob o mesmo fio condutor. Assim nos vemos enredados…
Desta forma, vamos nos compondo, talhando-nos dia a dia… Externamente, mantenho-me mais ou menos sob controle. A vida segue e eu sigo… certa ou incerta … mas jamais intenciono ferir qualquer um que seja…
isso nunca! Sendo assim, a gente se lacera um pouquinho… mas não se permite lancinar nem mesmo quem nos agride! -
Afinal, após tanto penar (e pesar), cá estou eu, serena, firme, forte e…inteira… e isso por si só merece redenção e comemoração! 🧿


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