Tamancas

 


Por Daniela Gatolini 


Tantas vezes sabemos que estamos certos… mas é preciso recolher-nos, acomodar as palavras e sentimentos, pois podemos ferir de volta quem nos magoou… quem nos faltou com consideração e gratidão! - e não podemos e não devemos! 


Alguns passam por dores abissais e na inconformidade de geri-las, na dificuldade de lidar com suas feridas… buscam culpados (sem culpa) e atiram pedras… vilipendiam, a fim de dirimir ou justificar a sua revolta com o universo! 

E esse movimento de agredir, difamar e ofender se amplifica desproporcionalmente, isso porque passa a ser assentido por alguns… 

tornando-se cíclico e desastroso  ao atingir tantos quantos estejam a volta do objeto de desafeto!** 😕


Afinal, quando  estamos quebrados, dependendo das nossas atitudes e verbalizações, os estilhaços podem ser infinitamente maiores e irreversíveis! 


Eu, definitivamente, já percorri uma boa parte da minha jornada aqui neste plano… 

Juntei  cacos, pedaços, vivenciei perdas, doenças, passei por lutas e lutos, dores e medos, vitórias e alegrias, incertezas e inconstâncias… 

entusiasmos… 

ou seja esforcei-me para chegar até aqui… reconstruída e inteira (da melhor forma possível)!


Não ousaria ferir ninguém… 

não usaria ninguém de escada… 

pois olho para mim e sem falsa modéstia, sei que não preciso… realmente não preciso!

… 

ademais, sei do meu valor e de meus predicados 

… e também sei das minhas incorreções… 

portanto, desnecessário… certas colocações que nos chegam… 

 

Sim , somos seres de luta e coragem, e aqui, não foge à regra… 

Não me  falta disposição… 

A  diferença é que sobra e transborda educação, polidez e uma dose extra  de auto-controle! 


Também não usemos  de hipocrisia … e dizer que só resisto e sigo… 

que não me importo… que não me sensibilizo 

Não !!!! 

De forma alguma!!!!  … 

mas temos a obrigação de compreender os movimentos que o mar da vida faz… 

E eu  amo a vida, e sou grata por ela e tenho o direito e o dever de vivê-la… com todas as benesses e dificuldades… já que ela foi-me emprestada e é uma dádiva estar aqui…

E não vou invalidar o  direito e o dever de vivê-la… mesmo que para alguns, a nossa existência seja afrontosa… 


Permita-me  uma observação… 

_já passou da hora de evoluirmos_ de aprendermos novas formas de nadar… de atravessar as tempestades… de encontrar meios de fazer as nossas travessias… 


Tem uma expressão simplista mas muito verbalizada, que carrega grandes reflexões e não somente a interpretação bisada e conhecida… 

e alguns precisariam aprende-las… 


“Descer das tamancas” é para quem não sabe andar sobre elas… para quem não aprendeu nada da vida… e precisa usar de agressividade, passividade ou de muletas… 

todavia,  sempre haverá tempo de aprender a permanecer “no salto” … 

E o tempo sempre será um grande professor… 


Já eu… 

bem… eu não desço… 

 nunca… 

me equilibro, vou para frente ou para trás… balanço aqui e ali, mas não desço… não por orgulho, mas por maturidade… por confiança em mim e no que sou… 

quem quiser tratar comigo, falar comigo… terá que aprender a subir…  


Choro! 

Sorrio!

Emociono-me! 

Revolto-me, às vezes… 

Questiono certos desígnios também… 

sou empática, solidária, amável, amiga, e consciente do meu papel nesta vida… 


por isso, ressignifico todas as experiências que vivencio, até as felizes… que também são passageiras… portanto,  não me envaideço, pois aprendi que não é sobre o amanhã… é sobre o agora… é sobre o processo… 

É sobre cada momento.. 

e alguns são sensacionais, outros difíceis e complexos, mas todos passarão.. aliás, nós passaremos por eles! 


E a maturidade trouxe um pouco mais de amor próprio e muito bom senso… desta forma, tenho usado as palavras com mais cautela… 

e feito uso recorrente da abstração! 

Utilizado  o silêncio como verbo e não substantivo… 

mas, adianto, não adoecerei  por dentro… nem idiotizei-me… tão pouco estou invalidando certas situações ou terceirizando minhas ações! 

Só não darei  poderio  para ser afetada ou fazer-me retroceder! 

não me encolhi ou encolherei-me para caber em nada!

Não é confronto, nem guerra, 

é paz e transformação…


E eu sigo em transformação e muita tolerância… e esperançosa no humano de cada ser… 

pois, amar é movimento,  é capacidade  de ajeitar as situações dentro da gente, é permitir novos atalhos… é compreender que cada um de nós tem um lugar… o nosso… e a gente não quer e nem precisa ocupar ou roubar o do 

outro! - que é e sempre será dele! 

só dele! 


Eu sigo … 

observando muito e escrevendo mais ainda… 

E sim… 

faço uso de palavras fortes… não para convencer ninguém, manipular, ludibriar ou bajular! 

Eu não preciso!

E se estou perto, é porque tocou-me… e se declaro sentimentos é porque os sinto profundamente

e também porque há reciprocidade! 


Sou forte e nada irá demover-me do que o destino apresentar ou determinar para mim… não dou a caneta da minha vida a ninguém, muito menos a borracha! 

Escreverei novos capítulos, com novas pessoas, com velhas pessoas, com novos caminhos sem invalidar os velhos, e jamais, em tempo algum, esquecerei os traçados até aqui… 

pois com a idade veio a aprendizagem, e assim,  controlo-me resguardo-me… acautelo-me… mas não engolirei desaforos nem vocábulos…  e também aprendi a perceber 

 o momento certo para ventilar as palavras que podem curar feridas, e quem sabe,  salvar-nos de mortes em vida! 

Respeitemos a todos, inclusive quem aqui está… 

Afinal, deveria ser: 

sobre “se curar e não ferir.”

sobre amar e não odiar 

sobre fazer o bem… 

sobre ver além… 

E é… 

É sobre tanta gente… 

É sobre mim… mas também é sobre o outro… outros! 

É sobre a vida que insiste em nos dar empurrões… 

em ofertar possibilidades, 

em impulsionar-nos a cumprir a nossa missão nesta existência!

É tão somente a vida… tão  linda e tão triste… mas tão real! 


** perdão Giu, algumas farpas.. chegaram até você! 😕🥺

🤍

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