Ela

Ela 

Por Daniela Gatolini  


A porta da sala que trabalho, intitulada, diretoria, está sempre aberta a quem queira conversar… 

Na semana passada, fiz “a hora da escuta e palavra” com alguns alunos… 

Segue o ocorrido: 

Uma aluna perguntou-me há quanto tempo eu era professora… 

Outra questionou-me se foi minha primeira opção ser professora… 

Se eu tinha sonhos… meu maior medo! Onde eu comprava minhas roupas… 

Um menino  perguntou-me  se  meu carro era “gastão”… 

outro… se eu era solteira ou casada, se tinha filhos e se meu marido era professor também. 


Um deles meio envergonhado perguntou-me o que mais me incomodava ou “me tirava do sério”! 

Se eu já rodei a baiana ou era sempre assim! 

E ao respondê-los não notei algumas “chamadas” e diversas mensagens no meu telefone… 


Em menos de duas horas,  recebi cerca de 11 ligações e tantas mensagens que terei que filtra-las em ordem de prioridade…  para poder respondê-las!!!! 


E olha que era só o início da semana… segunda- feira! 


Me vi reflexiva sobre constância, mudanças, tempo, demandas! 

No que fui… de onde venho… 

mas  a pergunta sobre o que me incomodava…  ficou em evidência nas minhas elocubrações noturnas e ressoou até o presente dia! 


Raramente penso no que passou, sou fiel ao propósito de viver o momento presente, mas o caso é que o presente tem me remetido, com certa frequência, ao passado recente. 


Alguns conhecidos que encontro por aí… perguntam ou lançam suas curiosidades através de outros… 


Querem saber sobre a saúde, a direção da escola, a outra escola, viagens, sobre mãe, irmãos, sobre o cachorro, sobre minhas relações pessoais, minhas amizades, meus laços… minha filha (que parece chatinha)… 

Se faço dieta, procedimentos estéticos… sobre o meu cabelo… enfim, sobre tudo! 


Dou respostas,  as mais sucintas possíveis… (afinal, outorgo-me o direito de falar o que eu quiser e com quem eu quiser ou achar que cabe falar sobre pessoalidades!)


Ainda assim, algumas pessoas querem saber detalhes. 

Outras pedem notícias mais atualizadas até para “parentes desparentes” aqueles que não sabem nada da gente…  e não fazemos questão de vínculos… não por inimizade… tão somente por falta de laço ou intimidade! 


Tem também os que inferem ou são instigados a xeretar… 

Tem os fofoqueiros, os indiscretos e os desocupados (adoram falar o que não sabem, mas acreditam que sabem)!!! 


Em alguns dias, fica evidente o quão curiosas, e por vezes,  maldosas são ou podem ser as pessoas! 


Minha vida pessoal só diz respeito a mim… minha rede social é minha e nela escrevo crônicas, textos reflexivos e também amenidades! 

Publico fotos e vídeos… os quais eu quero… e não tenho a pretensão de agradar ou agredir ninguém… 


Em tempo, é sempre bom evidenciar que: antes  de ser filha de alguém, irmã de dois, mãe da Giu, professora, diretora(designada)

…  eu sou uma pessoa… um ser humano (único e plural)com qualidades e defeitos! 


E residir em uma cidade pequena como a nossa tem dessas coisas…  

“a gente conhece todo mundo e todo mundo acha natural “cuidar ou querer cuidar da vida do outro”! 

E desta forma, “se dão” ao direito de depreender e tecer suposições sobre a vida da gente! 


Não me importo com os questionamentos,  com as inferências e com a curiosidade alheia (quando saudável e sem maldade)!


E igualmente acostumei-me com os dedos apontados, todavia, somente o autoconhecimento  e a maturidade  propiciaram ferramentas para que eu me blindasse… mesmo assim, é sempre oportuno atenção para não alimentar o veneno alheio, afinal,  quer eu queira ou não, tenho cicatrizes e algumas feridas que estão muito sensíveis para serem cutucadas.


Acredito que as coisas duram o tempo certo, o tempo possível, face a finitude das relações, das pessoas, da vida, enfim. 

E, as vezes, perpetuam transformadas (da forma que for conveniente para as partes envolvidas e não do jeito que muitos determinam que deva ser) porque são mantidas reservadas e a salvo das “observações ou do arbítrio de tantos… e se chegarem ao fim ou tramutadas,  que seja antes do desgaste total, das mágoas irreversíveis, da perda de consciência do mundo, da decomposição total.


O fim, seja das relações pessoais, do trabalho, da vida…deveria ser percebido como algo intrínseco ao ser. 

E como disse uma tia querida… “Sinto-me pronta para ir, tranquilamente… mas  não me importo de ficar!”

Por agora, só penso que quero viver mais uns 40 anos no mínimo… sendo tão somente DaniEla!


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