Por Daniela Gatolini Bisado e Atual

 


Guimarães Rosa admiravelmente disse  “O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta.

o que ela quer da gente é coragem.”


Coragem para ser voz e igualmente ser silêncio... 

para priorizar, amar e contestar... 

para indignar-se e lamentar... 

para chorar e até exasperar-se...

para questionar e ousar 


E nesse pensar lembrei-me de  Marina Colasanti que nos diz que 

“a gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.”


Eu não quero me acostumar com as banalizações... 

Com a desumanidade, com a idolatria e cegueira...

Eu não me permitirei  naturalizar ou desvalorizar o que de fato importa...

Eu não me acostumarei com os exploradores, oportunistas e desalmados... 

Eu não quero me acostumar com a dor... 

tampouco, com o escárnio e deboche de muitos! 


Para mim nunca será natural... e “nunca sujará os meus olhos”! Sempre verei para além do pouco que muitos ofertam...


Sempre priorizarei o ser em detrimento do ter... 


E nestes tempos de discursos rasos e egos inflados... aprendi  que podemos ser trocados, substituídos e até diminuídos.


Vi tantos atirando fel, sendo grosseiros e escarnecendo os que pensam de forma diversa…

e que em tese  contrariam o que alguns defendem… 


As pessoas não se intimidam em depreciar, desmerecer ou criticar… principalmente se estiverem atrás de um teclado… 

Não se dão ao trabalho de utilizar  argumentos lógicos e polidez para exporem suas opiniões… 


Criticar, julgar, injuriar e macular algumas condutas é algo costumeiro para alguns… 


Obviamente alguém sempre se destacará ou terá mais facilidade ou habilidade para fazer algo que não dominamos ou não queremos aprender neste momento... isso, pelo fato de estarmos ocupados demais vivendo e fazendo o que realmente importa!


Talvez seja necessário parar... pausar... deixar aquela correria diária a qual muitas vezes não se justifica...  Deixar a soberba ou a mania de achar que somos melhores do que os outros ou que seremos insubstituíveis... 


Parar para “se ver” 

Parar para crer ... 

Parar para “entender” 


Na verdade, neste mundo de urgências e descartes, ninguém  sabe de fato a dor de cada um... ninguém olha o outro como um ser humano falível e finito! 

Ninguém se vê efêmero e decerto  acreditam ser eternos!

 

E diante desta pandemia, os  

temores  e incertezas se instalaram... percebo também que as máscaras caem na velocidade dos discursos! 


Portanto, permito-me ser a DaniEla falível e humana e só me preocupar com o agora! 


Já pensaram… se por acaso falecêssemos hoje... 

seríamos substituídos no mesmo instante não é mesmo? (no caso da escola 🏫 certamente!!!!!!!) 


A quem realmente faríamos falta?

Quem choraria ou sentiria a nossa ausência de verdade?


Opto por apequenar-me e sim deixar as inúmeras demandas que certamente “se ajeitarão” no amanhã… 

E  por agora, me priorizar!


Hoje recolho-me no direito da observância, no cuidado com minha saúde e bem estar  e na convivência com aqueles que realmente importam! 


E se hoje falta-me a disposição costumeira e o ânimo... 

E o temor aproximou-se trazendo lágrimas e levando meu riso...  


Amanhã certamente poderemos  nos preencher  pela fé e coragem  para transpor as adversidades e literalmente chorar de rir quando pudermos nos abraçar,  e assim, emocionar-nos sabendo que a tempestade passou, valorizando a nossa existência e tornando-nos pessoas melhores e gratas pela dádiva da VIDA!


Brindemos ao que de fato importa! 

Daniela Gatolini

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