TELEFONE


Recordo-me de uma situação engraçada de quando eu era criança... Meu pai trabalhava no Hotel Glória e comentava com os hóspedes  sobre os filhos... precisamente sua filha Dani (menina intrépida... falante e meiga)...
E então uma senhora gentil quis conhecer a menina de cabelos negros ...
Recebemos o casal em casa numa tarde ensolarada... e a senhora simpática nos presenteou com alguns brinquedos... Meu irmão encantou-se com um avião e eu ganhei um” telefone”... todavia...  a menina faceira e sagaz... tenta ligar para o seu pai... e não consegue... e num gesto brusco... atira o telefone contra a parede e diz: “este aqui veio com defeito ... não chama meu papai!!!!... pode levar de volta ... o que tem aqui em casa funciona melhor.”
A mulher respondeu sorrindo:  querida menina... você tem razão ... fui enganada... comprarei algo que funcione...
Mesmo possuindo uma  ótima memória ... não me recordo os detalhes finais da história... Minha mãe disse que levei umas palmadas... pela grosseria e atrevimento...
Mas... vamos as reflexões do ocorrido...
Quantas vezes não somos traídos pela beleza da embalagem... quantos momentos somos levados pela propaganda... 
Enganados... ludibriados...
Resta-nos ver “além do embrulho”...




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